Há dias estive num evento
sobre networking para “pessoas em transição”.
Pude constatar, com contentamento interior, ao ouvir os oradores, que estava a agir bem, segundo eles.
Embora o esteja a fazer apenas com base na minha própria intuição e resultado
de uma longa experiência relacional.
Tranquilizou-me confirmar
que não estava maluquinha quando me pus a falar com muitas pessoas, umas
próximas, outras que nem conhecia fora do circuito profissional ou que conheci apenas nas
redes sociais.
Na sequência do que
partilhei em textos anteriores, uma das acções planeadas desde o início no
meu mapa foi a palavra “contactos” que coloquei ao centro.
Com efeito, acumulei-os
ao longo da vida. Tentei sempre alimentá-los embora tenha havido grandes
períodos de ausência devido à intensidade do trabalho. Felizmente, surgiram as
redes sociais, sobretudo o Facebook e o Linkedin, que foram essenciais para
manter, fomentar e aumentar este grupo de pessoas à volta sem sair do mesmo sítio.
Voltando ao evento sobre
networking, ouvi muitas coisas de que gostei como este ser “um processo
constante de dar e receber, pedir e oferecer ajuda” (Keith Ferrazzi) e que é
preciso estar com desapego e oferecer com desapego.
Parece que o nosso
cérebro nunca volta atrás depois de se abrir. Achei piada a esta frase. Então
vamos sempre acumulando e crescendo?
Aida
Chamiça disse a propósito do contexto actual, sobre as pessoas apanhadas nesta mudança, que "não lhes é permitido parar de crescer” e que
podemos modificar-nos de forma imprevisível. Podemos mesmo atrever-nos a provocar o universo e a colocar energia positiva no sistema.
Mas o que queria partilhar
é que estou a experimentar este percurso de contactar pessoas, para falar e
ouvir, com o máximo desapego porque, na verdade, não quero mais do que interagir, conversar um bocado, descontraidamente, e
ouvi-las.
Para mim, esta “escuta activa” já é uma grande mudança pois, quem me
conhece bem, sabe que falo demais e tendo a ouvir menos. Mas até isso acho que
estou a conseguir mudar.
De modo que limito a
disponibilizar-me. Enfim, os meus conhecimentos, contactos em áreas diversas, tal
como diferentes saberes antes adormecidos.
Tenho recebido sempre.
Muito além do que esperava. Das minhas conversas já nasceram hipóteses de
futuro trabalho. E ainda mal comecei. Tenho uma lista grande de pessoas para
contactar e combinar um café que o tempo não está para almoços.
Tal como ouvi
repetidamente neste evento, é um dar e receber. Sinto que as minhas
características pessoais como o “ser dada” (que tantas vezes me pesou na
consciência ao longo da vida) e o sentir uma curiosidade natural por pessoas ajudam nesta fase.
Não sei o que vai realmente
resultar deste movimento na minha “rede” mas, por agora, sinto-o com o mesmo
significado do “traz outro amigo também” cantado por José Afonso.
Como se vê pela capa original de 1070, o conceito de rede aqui está. |
Tudo isto me leva a outro tema, sobre o qual escreverei um destes dias: a mistura.
Está no bom caminho, caminho, Cristina!
ResponderEliminarUm abraço.
Obrigada, Teresa! Foi uma destas pessoas ;) bjs
Eliminardar e receber é a receita ideal para a nossa estabilidade emocional enquanto seres humanos...
ResponderEliminarExcelente texto.
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