Onde estão as raparigas nigerianas raptadas pelo Boko Haram?
Faço esta pergunta tantas vezes. Chegamos ao fim do ano sem solução para este drama.
Um caso que continua com mais raptos e a escravização de mais e mais mulheres, aqui e noutros tantos lugares.
As mulheres estão a ser um alvo preferido dos terroristas islâmicos em qualquer parte do mundo, competindo em violência e barbárie.
O sentimento de impotência face ao aumento da perda de todos os direitos das mulheres, é terrível. Porque ameaça fortemente a esperança.
Quando pensámos que no século XXI haveria mulheres livres a tornarem-se escravas, tratadas como animais, ou pior, e sem capacidade de reacção que inverta isto?
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Conte-me uma história.
Partilho um texto que escrevi para o Blog da Hamlet B2B. Convidaram-me para colaborar com o Blog, no âmbito da comunicação business to business. Fiquei muito honrada com este convite.
Será que se confirma que os decisores empresariais são seres humanos como os outros e têm coração? Tudo indica que sim!
No artigo “Os decisores empresariais também têm um coração?” Jayme Kopke disserta sobre o tema não deixando margem para dúvidas.
Conte-me uma história!
Será que se confirma que os decisores empresariais são seres humanos como os outros e têm coração? Tudo indica que sim!
No artigo “Os decisores empresariais também têm um coração?” Jayme Kopke disserta sobre o tema não deixando margem para dúvidas.
Essa parece ser, então, a grande descoberta que envolve a buzzword do momento em termos de marketing e comunicação: storytelling.
As histórias servem para passar mensagens de modo muito mais eficaz.
Por isso, sempre serviram também para a comunicação B2B. Apenas ninguém falava nisso como um fantástico meio para entrar no coração dos decisores.
Até há pouco tempo, usava-se o storytelling essencialmente para o consumidor. A história que faria soar um clique no seu coração impelindo-o ao consumo apaixonado daquela bebida, à aquisição orgulhosa daquele automóvel, à completa dependência daquele creme de eterna juventude.
Fora do dia-a-dia publicitário das histórias que as marcas contavam para chegar aos consumidores, ficavam os gestores das empresas cujo target são outras empresas, parecendo que o seu destino teria que ser o dos dados frios e chatos, arredados duma linguagem emocional que, afinal, está sempre em todas as decisões.
Fora do dia-a-dia publicitário das histórias que as marcas contavam para chegar aos consumidores, ficavam os gestores das empresas cujo target são outras empresas, parecendo que o seu destino teria que ser o dos dados frios e chatos, arredados duma linguagem emocional que, afinal, está sempre em todas as decisões.
Um acontecimento fez explodir a buzzword storytelling e colocá-la na boca de toda a gente: o surgimento do digital como plataforma inultrapassável de comunicação e sociabilização.
Quase tudo se torna possível. Por exemplo, imaginar as história do Capuchinho Vermelho ou da Cinderela se estivessem nas redes sociais e usassem os devices que usamos hoje.
Quase tudo se torna possível. Por exemplo, imaginar as história do Capuchinho Vermelho ou da Cinderela se estivessem nas redes sociais e usassem os devices que usamos hoje.
O digital permitiu criar e recriar histórias, simplificando as mensagens através da utilização da imagem, do vídeo, da infografia, introduzindo uma velocidade na comunicação, impossível antes. Permitiu a sociabilização das mensagens e a introdução da emoção em larga escala.
Vivemos um momento em que a hipótese de fazer chegar a mensagem certa ao público-alvo, obtendo resultados parecem muito maiores.
A utilização intensiva, e mesmo a banalização do conceito de storytelling, não deve impedir-nos de o utilizar seriamente na nossa comunicação de marketing.
Afinal, sempre por aqui andou.
“Big companies know storytelling is the secret weapon to ‘branding.’ Why? Because people don’t fall in love with data dumps and PowerPoint slides. They are moved by emotions”.
In Fast Company
Café, vinho e sexo.
Café,
vinho e sexo! Boa!
No meio de tanta notícia bera e triste, sobre o país e o mundo, hoje percebi que viver muitos anos com saúde está ao alcance de todos nós.
No meio de tanta notícia bera e triste, sobre o país e o mundo, hoje percebi que viver muitos anos com saúde está ao alcance de todos nós.
Pois é, segundo um artigo publicado na revista do Expresso, de base científica, basta beber café e vinho, comer peixe e frutos secos, praticar muito sexo, conviver com os amigos, fazer voluntariado, adoptar um animal ou correr 5m por dia, para aumentar muitíssimo a longevidade.
Como praticante de grande parte destas categorias, fiquei com medo de ultrapassar os 100 anos, qual Manoel Oliveira, pois financeiramente teria alguns problemas de sustentabilidade...
Intrigam-me estes artigos e a pertinência da sua
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| Deu para me entreter a fazer esta montagem... |
14 Dezembro. Facebook
Obrigada, Pedro!
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Sábado versus Domingo.
Sempre associei o sábado a algo agradável. As possibilidades que se abrem são imensas. Parece que temos todo o tempo do mundo à frente. Tudo é possível, parece.
Enquanto que o domingo remete para algo castrador que sabemos acontecerá algures nesse dia, umas horas mais tarde. O fim do fim de semana. A meio da tarde já começa a formar-se um nó no estômago anunciando o regresso aos deveres.
Enquanto que o domingo remete para algo castrador que sabemos acontecerá algures nesse dia, umas horas mais tarde. O fim do fim de semana. A meio da tarde já começa a formar-se um nó no estômago anunciando o regresso aos deveres.
Dito isto, era sábado e pus-me a caminho. O dia estava azul. Finalmente, luz e sol. Excelente para conduzir estrada fora. Destino desconhecido. Tudo em aberto.
Na rádio, António Costa discursava no Congresso. Gostei. Palavras de força e de esperança, tudo o que não temos tido. Objectivos mobilizadores. Foco nas pessoas. Tom afectivo. Mais um ânimo para o sábado. Aprecio que não fale do déficit e que tenha a sua própria agenda. Podemos ter esperança?
Até ao ultimo fim de semana, devo ter sido dos poucos portugueses que nunca tinha ido a Fátima. Digo isto porque só me conhecia a mim mesma como não conhecendo o local.
Para além da minha falta de fé e crença em qualquer Deus, o milagre fabricado em Fátima significa tudo o que me arrepia na religião. Gato por lebre e mais não digo que tenho muitos amigos crentes que respeito mas compreendo mal.
Nunca tive um motivo para lá ir. Mas este sábado tive, embora sem nada a ver com religião.
E fui, pondo para trás das costas os preconceitos. Afinal, não é obrigatório ser peregrino para visitar a tal terra.
É tudo muito diferente do que tinha imaginado. Prédios e prédios, não muito altos. E montes de hóteis com nomes religiosos. Aceitável.
Depois do almoço tardio, já a tarde refrescava e nublava, fomos passear a pé. Finalmente, conheci a tal Cova da Iria, um espaço enorme e aberto, bonito.
Claro que não senti nada, nenhum chamamento, nenhuma fé. Observei tudo como observo qualquer sítio, religioso ou não, quando vou em turismo.
Gostei da Basílica da Santíssima Trindade, inspirada na arte bizantina, da autoria do arquitecto grego Alexandros Tombazis. Impressionante a arquitectura, com mais de oito mil lugares sentados e uma área de 40.000 m².
Imponente e rica. Em Fátima sente-se o dinheiro e o seu poder.
No domingo, o céu estava escuro e chovia, não contribuindo em nada para diluir a tristeza do dia. Apesar disso, deu para visitar o castelo de Ourém e a sua vila medieval. E desejar voltar. Almoço na aldeia Pia do Urso. Comida tradicional, farta e boa. O passeio foi curto que chovia bem.
Fim de semana de despedida, de ponto final, com a sensação de não o ser. Tudo fechado.
Afinal, era domingo. Voltei para Lisboa com a luz fraca da tarde, quase noite.
O carro cheio de tralha. Música e pensamentos. Que ano. Uma sensação de vazio. Um aperto de perda.
Estamos sempre a recomeçar. Tudo fechado ou tudo aberto?
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Violência.
Foi há bocado. Em plena tarde e luz do dia.
Saí do metro em Picoas, na Tomás Ribeiro, para subir a rua e virar mais à frente para a António Augusto Aguiar, onde é o meu médico. Ía depressa porque faltavam 5m para a minha consulta marcada para as 16h.
Dois quarteirões acima, uns dez metros à minha frente, sem mais, vi um homem grande agarrar com violência o cabelo comprido duma rapariga que ía ao seu lado. Não tinha reparado neles, envolvida nos meus pensamentos de ressaca dos acontecimentos que ensombram o país. Sentia o sol e a aragem fria que apareceram para alegrar a tarde.
Numa primeira impressão, pensei que se tratava dum pai a zangar-se com a filha jovem adolescente, tal era a diferença de altura entre eles. Depois percebi logo que era um homem e uma mulher. E que ele estava a gritar com ela, a empurrá-la e a ameaçá-la.
Fiquei logo nervosíssima. Olhei à volta, ninguém. Do outro lado da rua, um Pingo Doce mas nem um segurança à porta.
Nunca vivi nem vi uma cena assim. Ela foi andando para trás, até ficar encostada a uma montra abandonada. O tipo era bem alto e forte, fato castanho, falava alto e crescia para ela, alterado. Ela, magra e baixa, com ar bem frágil. Poderia ter escapado dali se quisesse. Mas o medo era evidente. Ela falava qualquer coisa, não dava para perceber.
Aproximei-me, ultrapassando-os pois estavam parados no passeio. Quando passei, disse para o tipo (nessa altura de costas para mim) "é melhor parar". Não se virou logo. A rapariga olhou-me aterrorizada.
O tipo continuava a ameaçá-la. Perguntei à rapariga "precisa de ajuda? Vou chamar a polícia."
Então, o gajo virou-se para mim e gritou "não se meta, não tem nada com isto". Safa que era ameaçador. Feio mas feio, vesgo e os olhos raiados de vermelho. Veio direito a mim como se me fosse bater. Atravessei a rua depressa sem olhar para trás e a dizer alto "vou chamar a polícia". Só pensava como gostaria de ter físico para esmurrar aquele filho da puta. Ou um taco de baisebol para lhe dar com toda a força.
Segui à procura de algum polícia, nada. Ou alguém suficientemente forte que quisesse enfrentar aquela besta. Ninguém. Caramba, eram quatro da tarde.
Olhei para trás. O tipo tinha acalmado um pouco, seguiam pelo mesmo caminho que eu, um bom bocado atrás, lado a lado, a falar, aparentemente sem a violência anterior.
Já estava a passar a hora da consulta. Quando virei para subir a António Augusto Aguiar , perdi-os de vista. Polícia nenhum. Ainda tremia. Só pensava na rapariga. Não sei qual seria a relação deles. Mas aquela rapariga frágil e bonita não combinava com aquele brutoldo violento.
Já no consultório, lembrei-me que hoje se comemora o Dia Internacional para a Erradicação da Violência Contra as Mulheres.
Quando entrei no gabinete do médico estava ainda a quente. Contei-lhe a história. Perguntou-me "não fotografou?" Não, nem tive tempo de me lembrar disso. Devia tê-lo feito!
Felizmente, o motivo que me levou ao médico era infundado e saí vinte minutos depois. Andei rapidamente até à rua onde os perdera de vista. Ninguém nem nenhum carro de polícia a registar um crime. Ufa!
Este episódio, fez-me pensar em como agir, uma vez que não tenho força física para uma besta daquelas e não agir nem se coloca. Acho que o ter interrompido, falado, ameaçado com a polícia, teve algum efeito momentâneo mas senti-me mal por não ter feito algo que levasse aquele tipo à justiça. E agora?
Penso naquela mulher. Nas mulheres que se sujeitam a algum tipo de violência.
Uma em cada três mulheres é vítima de abusos físicos em todo o mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde divulgados a semana passada.
As mulheres têm que perder o medo.
Os comportamentos violentos têm que ser punidos. Com todo o exagero.
domingo, 23 de novembro de 2014
A minha tarde de domingo.
Há dias que andava em pulgas para comprar o último livro da Alexandra Lucas Coelho. Gosto de tudo o que escreve e, depois de ter lido as entrevistas que deu e ter percepcionado a história do novo livro, fiquei de água na boca. Tudo a ver comigo.
Ontem vi algures que o livro tinha 5 estrelas. Tinha que o ter, até porque estava a três páginas do fim da Teoria dos Limites, de Maria Manuel Viana. E é sempre tramado sair duma leitura de que se gosta e entrar noutra. Quantas vezes desisto de um livro porque o anterior deixou marcas tão profundas que a seguir nada interessa.
Por isso, senti que só O Meu Amante de Domingo podia encaixar agora. E não me faltam novos livros em espera. A forte contenção de custos que pratico quase há um ano só é ameaçada pelo impulso irresistível dos livros.
Passei a manhã a arrumar as gavetas fundíssimas da cómoda, as das meias e da roupa interior. Esvaziar tudo, passar a pente fino, rever, seleccionar, dobrar e rearrumar. Tarefa que detesto. Estava para fazer isto há mais de cinco anos... Foi esta manhã. Não liguei o computador, não fiquei a ler os jornais na mesa da cozinha depois do pequeno-almoço, não fui caminhar nem andar de bicicleta. Não, portei-me super-bem e tratei das meias. Dos collants, por cores e espessura. Das meias de desporto. Das meias de lã até ao joelho. Das meias de lã mais pequenas. Das de algodão. Das de fantasia que nunca uso. Das repetidas. Das leggins que não sabia ter. Ufa!
Quando acabei, ao fim de duas horas, as costas doíam mas o dever estava cumprido. Até daqui a cinco anos, no mínimo!
Chovia, como sempre. À hora do almoço, quase não se via dentro de casa e o ímpeto para ficar abrigada era algum. Mas não, O Meu Amante de Domingo urgia.
E precisava sair, respirar, sentir a cidade depois dos acontecimentos sinistros dos últimos dias.
Equipei-me à maneira, gabardina, galochas, chapéu, chapéu de chuva, mochila. Pronta para caminhar depois do metro.
Fui até ao Chiado, directa à Bertrand. Que está toda mudada, com mais espaço, com menos livros, sem graça, sem o ar old fashion de antes. Até isto! O que nos restará?
Descansei. O livro estava lá, capa vermelha, edição Tinta da China. Objectivo atingido. Dinheiro certo. Olhar sem desvios. Uma volta pela rua à chuva e regresso ao metro, noutra linha, para a visita dominical à mãe.
Foi assim que percorri a Estrada de Benfica, do Jardim Zoológico ao Califa, a pé, defendida do cinzento molhado dos pés à cabeça. Há quantos anos não fazia este percurso a pé? Trinta e alguns.
O palácio do Conde de Farrobo, A Colmeia, o Arabesco, a rua dum namorado, o Sr. Manuel dos biscoitos. Ninguém na rua. Nem eram cinco.
Que sede, mais um bocadinho e um chá preto quentinho. É bom ter mãe e ter esta que é a minha. Claro que as calorias foram repostas por alguns Esses, os melhores biscoitos de sempre.
De volta a casa, oiço a banda sonora do Hable con Ella e escrevo.
Anseio pela noite, ultrapassados os telejornais, as detenções, os comentários, quando me deitar na minha caminha e me puser a ler O Meu Amante de Domingo!
domingo, 16 de novembro de 2014
Mudanças e andanças.
Estes dias têm sido
estranhos.
Apenas porque os
acontecimentos passam como se não fizessem parte da minha vida. A velocidade
das coisas não deu tempo para ficar a pensar na sua essência, nos porquês e nas
consequências.
Vendo bem, não pensar muito na
causa das coisas tem sido uma opção para prosseguir. Sobretudo, não avaliar
culpas e culpados. Para seguir em frente, como se diz agora.
O fim-de-semana marca o fim
duma fase, duma história, dum percurso.
Quando, por fim, paro de
labutar, fico no sofá a olhar, de pijama, manta nas pernas, jornais à volta,
televisão ligada, comida uma sopa e uma maçã para cumprir função, sem
entusiasmo.
Não é um dia de semana. É
sábado à noite e uma amiga telefona com um simpático convite para jantar na
casa dela, com outras amigas, para comer castanhas, conversar, beber um copo. Agradeci
e recusei com a desculpa verdadeira do cansaço e do pijama já vestido.
Queria estar sozinha.
Preciso. Há uma ingratidão nisto porque os amigos são quem nos salva nas
dificuldades, nos momentos difíceis. E gosto dos amigos, dos que tenho, de
saber que os tenho. Gosto do dar e receber que os verdadeiros amigos implicam.
Já recusara com dificuldade
um convite para um café durante a tarde, feito quando desembrulhava copos e
outras coisas trazidas da casinha para a casa e tentava arrumá-los com êxito
muito duvidoso. Sozinha. Não queres ajuda? Não, obrigada.
Stacey Kent cantava
demasiado bem “What a Wonderful World”.
Apetecia-me assim. Sem
interrupções. Sem questionários. Mas consegues fazer tudo sozinha? Vê lá, já
não tens vinte anos. Eu sei. Dói aqui e ali, quando tento puxar um vaso
pesadíssimo com uma oliveira que trouxe para a entrada de casa. Mais outro com
um cacto gigante e outros tantos que os homens das mudanças deixaram mais ou
menos no espaço mas a que falta dar um jeito.
Não me despeço da casinha. Às
oito e pouco da manhã estava lá. Abri o portão e o pátio estava ensopado,
brilhava ao sol repentino depois da imensa chuva anterior.
A casinha é agora
uma vastidão de caixas num desmantelamento que não dá margem para romantismos.
A salamandra já foi vendida, não tem fogo e está tapada por caixas e coisas
prontas a levar.
Há humidade fria quando abro
a porta. Ainda bem, de facto, rapava-se um frio do caraças naquela casa.
Enquanto os homens carregam a chaise longue amarela, sítio de tantos sonos e
leituras, juntam-se vizinhas e vizinhos em bons-dias curiosos. Ah, vão-se
embora? Como se já não soubessem que as notícias correm rápidas por ali.
À noite, recostada no sofá,
a consumir as enormidades avassaladoras das notícias na televisão, tenho ideias
para escrever revoltas muitas com tudo o que se passa pelo país e pelo mundo.
Mas falta-me a força para ir buscar um caderno e apontar as ideias, sabendo que
de manhã será difícil relembra-las exactamente da forma luminosa como surgem.
Na SIC, Marques Mendes, que
evito ver e ouvir porque me enerva muitíssimo, braceja e agita as mãos pequenas
como todo ele, afirmando repetidamente a sua inocência no caso dos vistos
dourados. A jornalista, bem, pergunta então porque não saiu da sociedade JMF se diz já não estar activa desde 2011? Sem resposta.
São todos inocentes até
deixarem de ser.
Nunca pensei, em toda a
minha vida, que Portugal seria um desses países cheio de corruptos que
associava às ditaduras da América do Sul. Mas vejo agora como a corrupção sempre
medrou como a merda.
Antes e no Estado Novo. E
depois. Agora de modo mais descarado porque fomentada a impunidade.
Os medos
pequenos que fazem o dia-a-dia das pessoas comuns estão cheios da noção do
poder da corrupção. Não só no numerário ganho num favor feito mas na moral
perdida nesse favor. Quem aldraba pequeno, aldraba grande. A teia constrói-se.
A amargura é maior porque
confirmada a cada desilusão, a cada descoberta, a cada suspeita.
Vejo uma mulher na sua
sabedoria feita pelos muitos anos, responder, na rua com mais casos de legionella,
que ainda não bebe água da rede. Mas pode, diz o jornalista. E pode confiar? Não. Não confia. Beberá mais tarde, quando passar o tempo que confirme
por si a confiança nessa água dita boa pelas autoridades.
Até a este nível a confiança
está perdida.
Tomo o pequeno-almoço, bem
dormida. No céu há esperança de um dia azul e com sol. Que não se confirma. Já está cinzento.
Sinto urgência para
escrever. Tomo notas dos tópicos que a noite relembrou: corrupção, ética,
jidahistas, Kobane, guerra, Gaza-Palestina, Boko Harum, as raparigas raptadas e violadas que não
voltaram, as mulheres que são esterilizadas na Índia, Putin que abandona o G20 sem responder e afirma que precisa de dormir (?).
Tantos
filhos da puta e maldade a denunciar…
“Uso a palavra para compor meus silêncios”, leio no
poema de Manoel de Barros “O apanhador de desperdícios”. Magnífico.
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